quinta-feira, 11 de abril de 2013
Poema Triste
No 43.° aniversário da nossa partida para Angola esta minha homenagem a todos camaradas de armas em forma de soneto.
Poema Triste
A minha mocidade crucificaram
Em cruz de verde pinho ornamentada.
Ao lado, foi minh'alma sacrificada
E nunca os algozes se explicaram.
Levaram com eles tudo o que roubaram
Em nome da Pátria violada.
Em nome do dever, esta cambada
A mocidade de tantos crucificaram.
Hoje, envergonhados, fingem esquecer
Aqueles que cumpriram o seu dever!...
As promessas, essas, ficaram por cumprir!...
A mocidade crucificada não morreu!...
Vive com o poeta que escreveu
Este poema triste... Que nos faz rir!...
José Diogo Júnior
P.S. Estive quase 2 anos, de castigo, sem poder publicar no nosso e no meu, blog, por isso, embora alheio ao problema peço desculpa.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Intervalo - ALMOÇO ANUAL
Tenho tirado estes dias de intervalo na História da Unidade, que em breve retomarei. Mas aproveito para anunciar o almoço anual, de acordo com a "convocatória" que hoje recebi do camarada organizador, o José da Costa Ferreira Gonçalves, o "Braga".
ALMOÇO CONVÍVIO ANUAL DA CCAV 2692
Braga - 25 de Maio de 2013
PROGRAMA
10h00 - Concentração no Parque da Ponte, junto ao Estádio 1º de Maio
11h00 - Visita ao Parque
11h30 - Missa na Capela de São João
13h00 - Concentração no Restaurante Quinta da Fonte, para o almoço convívio
PREÇO
€ 32,50 por pessoa
(Crianças dos 01 aos 05 anos é grátis, dos 06 aos 12 anos pagam 50%)
O José Gonçalves informa que, além dos aperitivos e "aditivos" habituais, a ementa assenta em dois pratos principais, o Bacalhau à Braga e a Vitela. Pede ainda que, para que seja proporcionado um bom serviço de restauração, se necessitar de uma alimentação diferenciada, informe no ato de inscrição o prato alternativo pretendido.
Por uma questão de logística, o José Gonçalves pede que se confirme a presença com a possível brevidade para os contactos que constam da "convocatória" que está a ser endereçada a todos os camaradas (a brevidade é sobretudo pela necessidade de reserva da quantidade de brindes a entregar aos participantes).
E, como vinha na "convocatória"... SUS! A ELES!
domingo, 24 de março de 2013
HISTÓRIA DO BCAV 2909
BCAV 2909
HISTÓRIA DA
UNIDADE
(CONTINUAÇÃO)
(02.0017)
SITUAÇÃO GERAL (continuação)
INIMIGO
CONCLUSÕES
POPULAÇÃO CIVIL
Aspecto económico
Dadas as características específicas do solo e as condições
meteorológicas que o afectam, a economia da região tem feição exclusivamente
agrícola e a sua exploração tem sido quase totalmente dirigida para a produção
de café.
Antes dos acontecimentos havia na região numerosas e
florescentes fazendas ou roças de café que foram, na sua quase totalidade,
devastadas por acções terroristas. Posteriormente essas fazendas têm vindo a
ser recuperadas e ocupadas.
Actualmente as Fazendas ocupadas são as seguintes:
Região de Mucondo:
Fazenda Santa Eulália (1431.0807)
Fazenda Caiado (1436.0817)
Fazenda São Paulo (1438.0815)
Fazenda Bombo (1431.0813)
Fazenda Boavista (1434.0814)
Fazenda Maria Amália (1428.0812)
Fazenda Sande (1430.0816)
Fazenda Daladiata (1436.0814)
Fazenda Aurora (143050.080625)
Região de Cambamba:
Fazenda Granja Administrativa (1445.0810)
Fazenda Valparaíso (1447.0811)
Fazenda Bela Vista (1446.0809)
O florescente comércio existente antes de Março de 1961, que
vivia não só da venda de artigos à população mas, principalmente, da compra de
café produzido pelos nativos, está reduzido a duas casas comerciais em Santa
Eulália, duas em Cambamba e uma no Quicunzo (Maria Amália).
A alimentação dos africanos não apresentados que vivem na
mata é constituída por milho, feijão, mandioca, caça e pesca.
Aspecto político
Os partidos dominantes na ZA do Subs-sector “ZBA” são a FNLA
e o MPLA.
A FNLA domina todo o Sub-sector com excepção do canto SW,
dominado pelo MPLA (A/IRM), cujo limite E se pode considerar o rio Bóqui.
Aspecto administrativo
Zemba e Mucondo dependem, sob o ponto de vista administrativo, do concelho de Nambuangongo, havendo um administrador de posto no Quicunzo.
Cambamba é sede de posto administrativo, dependente da
administração do concelho de Quitexe.
(Extraído do relatório do Comandante Duarte Silva, depositado no Arquivo
Histórico Militar – Lisboa)
CONTINUA)
domingo, 10 de março de 2013
HISTÓRIA DO BCAV 2909
BCAV 2909
HISTÓRIA DA
UNIDADE
(CONTINUAÇÃO)
(02.0016)
SITUAÇÃO GERAL (continuação)
INIMIGO
CONCLUSÕES
POPULAÇÃO CIVIL
Aspecto humano
- População
A população existente na ZA resume-se ao núcleo já indicado quando
se tratou das povoações.
- Grupos étnicos
Europeus: A
população branca está reduzida aos comerciantes e funcionários das Fazendas de
café já recuperadas.
Africanos: Neste
momento apenas existem populações apresentadas em Cambamba (cerca de 900 indivíduos)
e em Zemba (12 indivíduos).
Pode-se afirmar que de uma maneira geral a área do
Sub-sector ZBA é ocupada por Luangos e Bahungos.
LUANGOS
Gozavam de fama de activos, trabalhadores e inteligentes.
Entre eles não existia a escravidão, embora empregassem nos campos escravos
Bahungos que compravam. Entre eles existiam excelentes carpinteiros. Os
cadáveres dos chefes indígenas não desciam à tumba logo após a morte. Os ritos
funerários demoravam por vezes alguns anos. O corpo era fumigado e envolvido em
numerosos panos cujo volume era indicativo da estima do povo e da categoria do
chefe.
Após ter sido mumificado, o cadáver era exposto em praça
pública.
BAHUNGOS
Desconhece-se de onde vieram os Bahungos. Aliaram-se por
diversas vezes aos portugueses para lutar contra outras tribos.
Resistiram sempre à pressão dos Baxicongos, que os
pretendiam escorraçar para sul.
São bem constituídos, corajosos, coléricos e impulsivos.
Têm os olhos ovais, cabelos pretos e encarapinhados.
A base da alimentação é vegetal, constituída pelo “quipati”,
feito de farinha de mandioca e de milho, acompanhada algumas vezes de carne.
Cultivam a mandioca, milho, feijão e “ginguba”.
Pescam e caçam. Estes povos foram geralmente tidos como
muito atrasados em relação aos grupos étnicos vizinhos.
Consta que praticavam a antropofagia, principalmente entre
os feiticeiros.
- Modos de vida
A não ser a população apresentada que vive em Cambamba e
trabalha nas suas “tongas” e lavras, e os elementos que vivem em Zemba e
trabalhadores das fazendas, a restante vive na ilegalidade sem contacto com
qualquer autoridade constituída, não tendo modos de vida definidos.
Antes dos acontecimentos de 1961, notava-se a tendência de
movimento populacional do campo para a acidade.
Nas populações apresentadas o regime sucessório de todos os
chefes indígenas é de natureza matriarcal: o sobrinho sucedia ao tio. Cada
sanzala tem um chefe “sobeta”. Duas ou mais sanzalas constituem um povo
subordinado a um “soba”.
Acima dos “sobas” há os “regedores”, os quais, juntamente
com os “sobas” e “sobetas”, constituem o elo de ligação entre a massa nativa e
as autoridades administrativas. A estas autoridades gentílicas compete
resolverem as questões surgidas na vida quotidiana, consultando por vezes o
conselho dos velhos.
- Línguas e dialectos
Os nativos apresentados e os capturados falam o “kimbundo”.
Sabe-se no entanto que a maioria dos nativos refugiados nas matas fala “português”
aprendido no contacto com os brancos antes dos acontecimentos de 1961. Sabe-se
mais que as escolas que funcionam nas matas são em “português”.
- Religiões, crenças e seitas
Duma maneira geral todo o nativo é tradicionalmente
religioso e crente.
Antes dos acontecimentos de 1961 quase toda a população
professava mais ou menos a religião católica ou protestante conforme a religião
das Missões que ficavam mais perto dos locais em que vivia.
Deste facto resultou a existência de uma maior percentagem
de indivíduos que seguiam a religião protestante, percentagem que ainda hoje se
mantém entre as populações que vivem nas matas.
O IN dá muita importância às práticas religiosas, delas se
servindo como arma de acção psicológica junto das populações que domina ou
apoia, com vista a que estas suportem com resignação a situação miserável em
que vivem e mantenham vivo o fogo sagrado de uma hipotética independência.
(Extraído do relatório do Comandante Duarte Silva, depositado no Arquivo
Histórico Militar – Lisboa)
CONTINUA)
sábado, 2 de março de 2013
HISTÓRIA DO BCAV 2909
BCAV 2909
HISTÓRIA DA
UNIDADE
(CONTINUAÇÃO)
(02.0015)
SITUAÇÃO GERAL (continuação)
INIMIGO
CONCLUSÕES
POPULAÇÃO CIVIL
Aspecto histórico
O povoamento das regiões dos rios Luica e Suége fez-se por
migração natural a partir da região dos Dembos.
Os povos dos Dembos, dada a sua maneira de ser, orgulhosa e
rebelde, foram sempre avessos à aceitação da autoridade portuguesa, resultando
daí que a fixação dos colonos brancos nesta região fosse tardia e bastante
difícil. Esta tradicional rebeldia originou várias acções militares com vista à
pacificação dos Dembos.
Em 1872 rebenta a grande revolta dos Dembos na qual só os
Dembos de Nambuangongo e Ambuila não tomaram parte. O Dembo de Caenda,
secundado pelos de Canzuangongo e N’Gombe Amuquiama, nosso aliado durante sete
anos, foi a alma da rebelião, e desde então até à pacificação em 1918 foi
sempre o mais indómito de todos.
Esta revolta foi motivada por abusos cometidos pelos brancos
na cobrança do imposto. O europeu Augusto Archer da Silva, proprietário de uma
roça, foi massacrado com a família. Para punir os rebeldes inicia-se então a
primeira grande campanha dos Dembos. O Governador Ponte da Horta envia uma
coluna composta de 40 praças de primeira linha e 200 de segunda linha. Após os
primeiros embates com os indígenas verificou-se serem necessários reforços de
Luanda para se prosseguir na luta.
Passados cinco meses do início da campanha os rebeldes são
finalmente submetidos por forças já bastante superiores: 16 oficiais, 600
praças, e 2 peças de artilharia.
Porém a rendição foi condicional. O Governador deveria
expulsar 3 brancos da região a quem os indígenas se referiam nestes termos:
“Homens estes que vivem aqui só para extorquir quanto podem,
aos povos”.
A segunda campanha dos Dembos inicia-se em 1907 sob comando
de João de Almeida que, actuando só ao sul do rio Dange, conseguiu submeter e
pacificar a região em Novembro de 1907.
Embora a acção de João de Almeida se tivesse dado a sul do
rio Dange, o efeito dos seus resultados estendeu-se às regiões vizinhas criando
condições que permitiram a fixação de brancos tanto no comércio como em
exploração agrícola e mineira.
Apesar destas acções a pacificação dos negros continuava
ainda longe. O chefe da missão dos Dembos, Padre Miranda de Magalhães,
escrevia, em 1917, para a Metrópole: “Os Dembos continuam na mesma, quer dizer,
na sua tradicional insubmissão”. Só em 1918 o capitão Eugénio Ribeiro de
Almeida, com 99 soldados indígenas (Cuamatos e Landins) e 100 carregadores,
invade as terras de Canzuangongo, alcançando de surpresa o Muando, semeando o
terror por onde quer que passasse. Cuamatos e Landins arrasaram ferozmente as
terras dos Dembos. Estes, cansados de lutar, dizimados e enfraquecidos pela
doença do sono, foram submetidos um a um.
Os Dembos podiam-se considerar finalmente pacificados, tendo
Ribeiro de Almeida sido considerado “o dominador dos Dembos”.
Embora submetidos, o espírito rebelde manteve-se latente
nestes povos que aderiram, desde a primeira hora, à subversão e terrorismo que,
em 1961, ensanguentou o norte de Angola.
(Extraído do relatório do Comandante Duarte Silva, depositado no Arquivo
Histórico Militar – Lisboa)
CONTINUA)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
HISTÓRIA DO BCAV 2909
BCAV 2909
HISTÓRIA DA
UNIDADE
(CONTINUAÇÃO)
(02.0014)
SITUAÇÃO GERAL (continuação)
INIMIGO
CONCLUSÕES
DE ORDEM GERAL
A área do Sub-sector ZBA é presentemente uma zona de
guerrilha pura, onde a subversão chegou a atingir a totalidade dos povos. Com
excepção da área de Cambamba, onde a recuperação das populações já permitiu a
organização de duas sanzalas, em que vivem cerca de 900 indivíduos, em toda a
restante ZA as populações nativas vivem na ilegalidade, sujeitas a cerrado
controlo do IN.
A acção das NT na captação e recuperação das referidas
populações tem sido extremamente morosa e difícil devido às características da
própria população da região, derivadas dos seus condicionamentos étnicos, de
pouco contacto com o branco, do injusto tratamento a que, por vezes, foi, no
passado, sujeito, reforçadas com uma doutrinação intensa e bem orientada por
parte do IN.
Estas características ressaltam essencialmente nos aspectos
do orgulho, ódio ao branco, espírito combativo e não aceitação de outra
ideologia que não seja a que lhe foi incrustada.
Os combatentes IN, apesar das privações sofridas, mantêm um
moral bastante elevado. As populações, devido à constante acção das NT e em
virtude das privações sofridas, estão parcialmente desmoralizadas. As
tentativas de acção psicológica exercidas sobre a população, se reiteradas e devidamente
orientadas, deverão conduzir a resultados encorajadores, melhores do que os
conseguidos até ao momento.
O terreno do Sub-sector, muito ravinado e coberto, com
poucas e más vias de comunicação, confere ao IN excelente abrigo,
permitindo-lhe boa observação, tornando muito penoso o trabalho das NT e
difícil a surpresa, única maneira de conduzir as NT a resultados satisfatórios.
As deslocações das NT são bastante dificultadas na época das
chuvas, não só pela acção desta sobre o solo, mas também pelo aparecimento do
capim, que chega a atingir três metros de altura.
O facto de o IN ter conseguido resistir a 10 anos de luta em
tão precárias situações de vida, em especial noq eu se refere a vestuário e
medicamentos, leva a admitir que, a menos que tais dificuldades lhe sejam
agravadas, poderá manter-se em tais circunstâncias por longo tempo.
Todos estes factores levam a considerar que o IN do
Sub-sector ZBA ainda está mobilizado e suficientemente fortalecido sem dar
indícios de renunciar até à tal vitória de que continua convencido.
Isto no que respeita aos combatentes, uma vez que grande
parte da população prefere apresentar-se por não acreditar nas promessas que
lhe foram feitas há 10 anos, não o fazendo em maior escala com o receio das
represálias a que estão sujeitos quando descobertas as suas intenções.
Durante a permanência do anterior Batalhão no Sub-sector
ZBA, o IN executou alguns ataques e flagelações a Fazendas e a colunas auto,
nunca tendo levado a efeito qualquer acção significativa sobre os
aquartelamentos, o que não quer dizer que se possam descurar as necessárias
medidas de segurança.
Julga-se, no entanto, que o IN não teve em geral iniciativas
por carência de meios e grande receio da tropa.
POSSIBILIDADES DO IN
Enumeração
- Efectuar ataques esporádicos e de curta duração às colunas
militares que, obrigatoriamente e com frequência, percorrem os poucos
itinerários existentes.
- Executar acções de represália e de raptos ou roubos sobre
as fazendas e suass instalações e sobre os trabalhadores e populações que nos
sá afectas, nas tongas, nas sanzalas, ou nas lavras.
- Resistir à penetração das NT nas suas zonas de refúgio.
- Desencadear ataques e flagelações sobre os estacionamentos
das NT.
- Colocar engenhos explosivos nas vias de comunicação e
armadilhas nos trilhos de acesso aos seus refúgios.
- Diluir-se no terreno, furtando-se ao contacto com as NT e
escapando à sua acção.
- Concentrar meios, vindos de regiões a apreciável distância
umas das outras, o que lhe confere a possibilidade de levar a efeito acções de
certa envergadura.
Análise e discussão
das possibilidades
»» São indícios de que pode efectuar ataques a colunas:
- A existência em quase todas as picadas de excelentes
locais para a montagem de emboscadas.
- Algumas acções já efectuadas.
- O sistema de vigilância que montou e que lhe permite
detectar a grande distância a aproximação das colunas.
»» São indícios de que pode executar acções de represália:
- Alguns renumerados ataques que em tempos fez a fezendas.
- O desesperado estado de carência de vestuário, dinheiro e
víveres que o pode impelir a tentar acções de saque.
»» São indícios de que pode resistir à penetração das NT:
- A escolha de localização dos seus refúgios, em alguns doas
quais têm sido encontrados abrigos individuais, alguns subterrâneos.
- O sistema de vigilância que lhe permite detectar a grande
distância a aproximação das NT e escolher a modalidade de actuação mais
conveniente.
- O armadilhamento dos trilhos de acesso.
»» São indícios de que pode atacar estacionamentos das NT:
- As características do terreno, bastante arborizado, que
permite ao IN a possibilidade de se aproximar dos estacionamentos das NT sem
ser detectado.
»» São indícios de que pode colocar minas e armadilhas:
- As referências de que o IN o faz noutras áreas da AM1.
- O facto de esses engenhos já terem sido accionados ou
detectados pelas NT.
»» São indícios de que pode diluir-se no terreno:
- A atitude que tem adoptado à aproximação das NT.
- Declarações de presos e apresentados que referem ter, por
vezes, observado a movimentação das NT sem se revelarem ou serem detectados.
»» São indícios de que pode concentrar meios vindos de
regiões a apreciável distância umas das outras:
- A permanência em alguns “quartéis”de grupos móveis constituídos
por elementos de outros “quartéis”, alguns bastante afastados.
Probabilidades
relativas de adopção
As possibilidades atribuídas ao IN poderão, nas várias
circunstâncias consideradas, serem enumeradas pela seguinte ordem:
»» Face a uma operação de grandes efectivos:
- Diluir-se no terreno, furtando-se ao contacto.
- Mudar-se para locais de refúgio mais afastados e de mais
difícil acesso.
- Por vezes, reagir à penetração das NT.
»» Face a uma operação de pequenos efectivos:
- Resistir à penetração das NT em geral com fogos de
flagelação.
- Diluir-se no terreno, furtando-se ao contacto e escapando
à acção das NT.
(Extraído do relatório do Comandante Duarte Silva, depositado no Arquivo
Histórico Militar – Lisboa)
(CONTINUA)
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
HISTÓRIA DO BCAV 2909
BCAV 2909
HISTÓRIA DA
UNIDADE
(CONTINUAÇÃO)
(02.0013)
SITUAÇÃO GERAL (continuação)
INIMIGO
SITUAÇÃO
EM ABASTECIMENTOS. LOCAIS DE APOIO
O IN bastante frugal e resistente, alimenta-se quase
exclusivamente com os produtos agrícolas cultivados nas suas lavras e com os
produtos da caça e da pesca.
As munições, o armamento, o sal, as roupas e os medicamentos
são trazidos do Congo por grupos de reabastecimento ou recebidos de grupos IN
localizados nos sectores vizinhos.
ASPECTOS
CARACTERÍSTICOS E PONTOS FRACOS
Como aspectos
característicos do IN, apontam-se os seguintes:
- Conhecimento profundo do terreno em que actua.
- Perfeita adaptação ao meio em que vive.
- Actua em pequenos grupos que se deslocam com rapidez e que
facilmente se dissimulam.
- É bastante resistente e frugal.
Como pontos fracos
apontam-se os seguintes:
- Dependência do exterior no que se refere aos
reabastecimentos em armas, munições, medicamentos, sal e vestuário.
- Dependência das populações refugiadas nas matas e das
respectivas lavras para obtenção dos géneros alimentícios que lhe são
indispensáveis.
- Obrigatoriedade em se deslocar rapidamente utilizando
trilhos que, por serem bem marcados, acabam por ser facilmente referenciados.
OUTROS
ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO
Numa área praticamente sem população amiga, as fontes de notícias
que se podem utilizar são os apresentados, presos, os documentos e os elementos
obtidos através de reconhecimentos aéreos.
A melhor fonte de notícias é dos elementos IN apresentados,
que devem ser utilizados como guias sempre que possível.
CONTRA
INFORMAÇÃO
O isolamento em que se vive na ZA do Sub-sector e a quase
sempre inexistência de populações, faz com que os problemas ligados à
contra-informação se apresentem à primeira vista como facilitados, sem que,
como é evidente, signifique que os mesmos possam ser ignorados ou descurados
devido ao contacto que o IN deve ter com elementos conhecedores de certos
aspectos da vida nos “quartéis”.
Dentro do Sub-sector, é necessário por em execução
rigorosamente as seguintes medidas:
- Não se executar RVIS nas proximidades da realização de uma
operação.
- As tropas só serem informadas da verdadeira finalidade da
operação ou acção no momento em que saem do aquartelamento. É necessário contar
também com a extraordinária capacidade de observação do nativo, que lhe permite
não só detectar grande parte dos nossos movimentos, como também aperceber-se do
mais ligeiro “indício técnico” das intenções das NT. Verificou-se que alguns
apresentados da Sanzala de Cambamba tinham ligações com o IN.
(Extraído do relatório do Comandante Duarte Silva, depositado no Arquivo
Histórico Militar – Lisboa)
(CONTINUA)
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