sexta-feira, 6 de maio de 2011

Homenagem

Durante a nossa campanha militar em Angola, faleceram 2 camaradas em combate.
Um deles assentou praça, tal como eu, o Silvestre,o Ferreira, o Borreicho, o Augusto e o Galante, (não sei se citei todos), Em Beja no R.I.3.
Fizemos parte do mesmo pelotão na recruta e depois, também no quarto pelotão da CCAV. 2692 do BCAV. 2909, comandado pelo camarada alf. mil. Carlos Dias.
Refiro-me ao primeiro cabo Jorge Manuel de Oliveira António, vitimado pela explosão de uma bomba aramadilhada, em 19.02.1972.
Foi um camarada de quem sempre gostei muito, era leal e amigo e sempre bem disposto.
Peço perdão, se estou a ferir a sensibilidade de alguém, ao citar o nome, mas tenho de dar a conhecer esta quadra que foi escrita pouco dias depois da sua morte e que permaneceu no segredo dos Deuses até hoje.

Ao Jorge António esta homenagem

António, amigo, irmão
Neste meu peito saudade
Filha da condenação
De tão nova eternidade

José Diogo Júnior

sábado, 30 de abril de 2011

FOTOGRAFIA DO ALMOÇO DE 1987



Isto continua muito parado. Ninguém se manisfesta. Parece que já estão em "estágio"para a operação que se aproxima, mas ainda falta quase um mês.

Para aguçar a curiosidade e poder facultar a recordação dos que estiveram em Santarém, no ano de 1987, no 7º. almoço, acima é exibida uma foto que encontrei recentemente e que foi tirada pelo Paulo. Se não me enganei eramos 56 os presentes. Realmente, olhando bem para a foto eramos "uns jovens e bem magrinhos". Infelizmente, que eu saiba e se me não engano, pelo menos um já não faz parte dos que estão vivos. Vamos desejar que o maior número possa estar presente no Crato.

Até lá, um abraço.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

PÁSCOA FELIZ
para todos os camaradas e familiares, são os votos deste vosso camarada,
António Gonçalves

E VIVA O 25 DE ABRIL!
(Que outras razões não houvesse, pelo menos acabou com aquela guerra inútil!)

domingo, 10 de abril de 2011

Histórias da nossa tropa

O episódio de hoje aconteceu logo depois daquela operação em que o nosso saudoso camarada Ribeiro foi ferido. Depois do regresso e como é fácil de pensar, os animos não eram de modo nenhum os melhores Como por via do meu trabalho com alguma frequencia tinha de ir ao Gabinete do Cap. reparei que tinha sido dada ordem,aos homens que vieram da operação que apos banho e descanso deviam ir capinar, como sempre tive a lingua perto do coração não consegui manter-me calado então disse: acho muito desumano depois do que passaram ainda vão capinar, como resposta o Taxa disse: você não percebe nada de tropa, os homens devem manter-se ocupados para não pensarem na família depois quanto mais raiva sentirem melhor,como não se podem vingar em mim vingam-se no IN. Agora passados quase 40 anos talvez ele tivesse alguma razão,pelo menos no que toca à fami-
lia.

quarta-feira, 30 de março de 2011

"como eu entrei na guerra"

Companheiros está tudo bem comigo, não se passa nada, estou disponível para participar na operação "Crato", só que não tenho tido um tempinho livre para transcrever mais alguns capítulos das minhas recordações de "guerra", que o blogue tanto carece. Está na altura de apresentação de contas das empresas, relatórios e toda a documentação que este país de papéis reclama. Enfim, mais dia menos dia volto a aparecer em força, mas já agora aproveito para dar uma bicadinha. Então e os outros? Porque se calam, porra?

domingo, 20 de março de 2011

DUARTE SILVA, o Homem


Sobre o comandante Duarte Silva o João Vieira já escreveu que “era um herói, considerado um militar competentíssimo ….uma pessoa muito justa…, com grande dignidade e com um grande sentido do dever ... um militarão e isso significava exigência, disciplina…”
Concordo. Duarte Silva era um grande profissional, e muito exigente. Mas era também muito humano. Aliás, em conversa recente com o nosso capelão, Padre Carneiro, esta ideia foi igualmente acentuada.
Lembro-me que, quando estávamos no Grafanil como tropa de intervenção, um dos médicos ter trazido à conversa, à hora da refeição, que começaram a existir vários casos de “esquentamento”. Na altura o comandante fez qualquer comentário, que me passou despercebido. Mas numa das próximas formaturas Duarte Silva falou ao batalhão deste problema, alertando todos para a necessidade de usar “camisa-de-vénus” para evitar os esquentamentos. Acrescentou algo como “apenas por respeito às vossas mulheres ou futuras mulheres e aos filhos que possam vir a ter”. Lembro-me de ter pensado com os meus botões que este não era o comandante militar Duarte Silva a falar, mas sim um homem, um Homem profundamente humano, um “pai” que pensa na implicação futura das atitudes irresponsáveis dos seus jovens filhos.
Aqui fica uma faceta importante do retrato do Homem que, como comandante me coube em sorte na guerra. Ainda hoje penso que tive muita sorte.