Quando estávamos no Mucondo como era sabido,as transmissões tinham de funcionar 24 horas.
Além disso o Cap.queria saber o conteudo de qualquer mensagem logo de imediato. Chegou uma que versava
o seguinte: Barraca segue deste para essa na próxima coluna...
Como eram quase 3horas da manhã,mas obedecendo às ordens,o Rui que tinha cifrado a dita,foi bater à porta
do quarto do Cap. para lhe dar conhecimento que de imediato lhe disse:
Vai chamar o furriel Gomes quero saber para que é a merda da barraca,depois de me perguntar se eu estava
maluco,é que se deu conta de que mais uma vez tinha ignorado por completo os códigos que eu mensalmente
colocava na gaveta do seu gabinete.
Esta passagem serve de algum modo para lembrar o Rui Silva que a colaboração dele está muito fraca....
terça-feira, 23 de novembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Outras Histórias
Caro amigo João Vieira, já tinha pensado que as recordações tinham acabado...
Só que as vezes a memória trai-nos,não foram dois dias mas sim algumas horas acredito que pareceu-nos 2 dias eramos para chegar às 18 e chegamos próximos da s 24. O que interessa é que chegamos e estamos vivos
para recordar.
Só que as vezes a memória trai-nos,não foram dois dias mas sim algumas horas acredito que pareceu-nos 2 dias eramos para chegar às 18 e chegamos próximos da s 24. O que interessa é que chegamos e estamos vivos
para recordar.
O Regresso
A última história que me lembro da nossa “guerra”, depois de ter estado uns dias a pensar, é a do regresso. Fomos dos primeiros a utilizar os novos Boeings 707 que a Força Aérea comprou para transporte de tropas. E termos sido dos primeiros teve um preço! A nossa Companhia, que foi, se a memória está certa, a última a embarcar, quase um mês depois do que deveria ter sido, dirigiu-se toda lampeira para o aeroporto no dia aprazado, de onde, todos contentes, levantámos voo em direcção à almejada Lisboa. Apenas nove horas nos separavam do fim do que nos parecia ter sido um pesadelo. Mas o destino pregou-nos ainda uma partida. Pouco depois de levantar o avião começou a circular Luanda e o mar e como nós éramos uns desprezíveis passageiros, nada nos foi dito, continuando o avião a descer e a subir e às rodas sem se fazer à estrada! Até que, uns bons quarenta minutos depois, tornámos a aterrar em Luanda! Esperámos ainda dois dias para voltar a embarcar e, aí sim, virmos direitos para Lisboa!
Penso que, com esta memória, encerro a minha participação neste blog mas queria fazê-lo com uma espécie de declaração. Como ficou dito fiz tudo o que pude para “cumprir o meu dever” na forma que defini. Acho que uma das razões porque o fiz foi porque eu acreditava na utopia de que Portugal tinha a obrigação de “construir novos Brasis”, como a propaganda da época dizia. Há uns cinco anos voltei mais uma vez a Angola e vi, sem possibilidade de retorno, uma sociedade semelhante a um Brasil. Escrevi então num artigo que afinal tinha pertencido à “última geração” de portugueses que, ao longo dos séculos, defendeu, com armas na mão, uma ideia maior do que as nossas próprias forças, ideia essa, utopia que fosse, se concretizara, como tantas outras loucuras dos portugueses.
Penso que, com esta memória, encerro a minha participação neste blog mas queria fazê-lo com uma espécie de declaração. Como ficou dito fiz tudo o que pude para “cumprir o meu dever” na forma que defini. Acho que uma das razões porque o fiz foi porque eu acreditava na utopia de que Portugal tinha a obrigação de “construir novos Brasis”, como a propaganda da época dizia. Há uns cinco anos voltei mais uma vez a Angola e vi, sem possibilidade de retorno, uma sociedade semelhante a um Brasil. Escrevi então num artigo que afinal tinha pertencido à “última geração” de portugueses que, ao longo dos séculos, defendeu, com armas na mão, uma ideia maior do que as nossas próprias forças, ideia essa, utopia que fosse, se concretizara, como tantas outras loucuras dos portugueses.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
MILITARÃO E DIPLOMATA
As qualidades de "militão"atribuidas ao Comandante de Batalhão Ten.Cor.Duarte Silva, já foram, por diversas vezes, referidas em anteriores comentários, o que, no entanto, para nós sempre foi evidente.Recordo-me, ao fim deste tempo todo, de uma passagem ocorrida no Mucondo, aquando de uma programada "operação a nível do batalhão" com início no nosso Quartel. Na data da concentração do pessoal estava eu junto dos meus papeis a tentar conciliar o custo da "ementa" com o custo da "verba atribuida" quando o cabo mecânico Brinquete, me aborda no sentido de eu, simples Vagomestre, ir comandar o pessoal destinado a proteger quem, necessáriamente, tinha a função de pôr a trabalhar a bomba que abastecia de água o nosso quartel, ainda por cima, nessa altura com muita gente que necessitava de tomar banho. Até aqui tudo bem. Ora eu, estava vestido (como era natural dentro do quartel) de farda de terylene. Perante tal solicitude urgente, indadevertidamente, vesti o dolmen camuflado e coloquei na cabeça o "quiko" da farda de trabalho, catucheira ao cinto e G3 na mão e lá fomos.Escusado será dizer que ia mal uniformizado.Felizmente correu tudo bem. Só que quando a viatura que nos transporta regressou ao quartel constatei que na zona de estacionamento das viaturas o espaço estava cheio, que significava que o Comantante já tinha chegado, o que queria dizer, que caso ele me visse, lógicamente me chamaria a atenção, tendo dito ao pessoal que me acompanhava que dispersasse no meio de tanta gente que por alí circulava. Tal como pensei assim aconteceu, quem deu nas vistas fui eu, pois que, estando a tentar desaparecer daquele espaço, ouço aquela voz inconfundível a chamar por mim: - Amaral! Amaral!. Escusado será dizer que tive de me apresentar, tendo ouvido o seguinte: - Olhe lá ó Amaral, sabe-me dizer se já estamos no Carnaval?. A minha resposta imediata foi: - Meu Comandante , sinceramente, dado que aqui no mato os dias são todos iguais nem sei ao certo. E ele insistiu dizendo: -Mas ainda lá não chegámos?. Disse-lhe (o que havia de dizer?) que não. E então, com aquela sua maneira calma e com a "diplomacia", que, também o caracterizava, mandou-me embora dizendo: - Então se ainda não estamos no Carnaval que se "brinque" só nessa altura. Penso que nem sempre com o ditos palavrões militares se repreende um subordinado. Teria defeitos mas também tinha as suas virtudes. Para terminar digo que não me arrependo que tenha tomado a iniciativa de, depois de 18 anos, em 1990, quando organizei em Mangualde, em conjunto com o Chaves, o nosso almoço daquele ano, o ter convidado a estar presente pela 1ª vez, a que ele acedeu de imediato. Se me não engano, até vir a falecer nunca mais faltou.
Paz à sua alma.
Paz à sua alma.
Histórias da tropa
Como já foi dito a nossa ida para o Grafanil teve algumas vantagens"deixar de estar isolados"
mas a desvantagem de irmos para locais desconhecidos,até foi aí que tivemos mais baixas, o
que eu queria contar creio que passados estes anos até tem graça ...
Estavamos no Bom Jesus e adivinhava-se mais uma das saídas para o mato era a vez do4ºPel.
O Tavares aparece então com uma bota calçada e outra na mão :
Não posso andar ,esta noite levantei-me e bati com um pé na espia da barraca, Sr. dr. que é
que acha?
Nesse estado ele não pode ir diz o Dr. (entre dentes diz o Tavares"mais uma batalha ganha"
É que o acidente tinha sido feito por ele de prepósito, achei graça a esta passagem só não
sei o Dr. topou ou se também foi comido.
mas a desvantagem de irmos para locais desconhecidos,até foi aí que tivemos mais baixas, o
que eu queria contar creio que passados estes anos até tem graça ...
Estavamos no Bom Jesus e adivinhava-se mais uma das saídas para o mato era a vez do4ºPel.
O Tavares aparece então com uma bota calçada e outra na mão :
Não posso andar ,esta noite levantei-me e bati com um pé na espia da barraca, Sr. dr. que é
que acha?
Nesse estado ele não pode ir diz o Dr. (entre dentes diz o Tavares"mais uma batalha ganha"
É que o acidente tinha sido feito por ele de prepósito, achei graça a esta passagem só não
sei o Dr. topou ou se também foi comido.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Grafanil
Ao falar em Grafanil.faz com que recorde mais uma injustiça em que a tropa infelizmente era fértil. Desta vez fui sem o poder evitar,um dos protagonistas.
Como o Vieira disse, no Grafanil era comun a ida à praia e se havia quem não gostava outros
não deixavam de ir sempre que possivel. O Cap. tinha dito que ía passar revista, mas trocar
uma ida à praia por uma ao barbeiro,era demais para um jovem que ainda tinha estado de
serviço durante a noite.
Chegada a altura da revista o Alfama foi apanhado no apertado crivo do nossoTaxa.
Diz ele (Taxa) já que não cortaste o cabelo,vai ter com o Gato e: cabelo á bola de bilhar!
Capitão não me faça isso, vou conhecer a minha filha e não gostaria de aparecer lá assim...
Ias responde o nosso cap. O homem,saltou-lhe a mola e respondeu, então não corto,
como nós sabemos isso era uma coisa que não podia acontecer, Gomes chame as praças de
guarda e o cabelo tem de ser cortado,a bem ou a mal.
Enquanto ele estava a ser agarrado e desabafando, só não chamou pai ao dito.
Como o Vieira disse, no Grafanil era comun a ida à praia e se havia quem não gostava outros
não deixavam de ir sempre que possivel. O Cap. tinha dito que ía passar revista, mas trocar
uma ida à praia por uma ao barbeiro,era demais para um jovem que ainda tinha estado de
serviço durante a noite.
Chegada a altura da revista o Alfama foi apanhado no apertado crivo do nossoTaxa.
Diz ele (Taxa) já que não cortaste o cabelo,vai ter com o Gato e: cabelo á bola de bilhar!
Capitão não me faça isso, vou conhecer a minha filha e não gostaria de aparecer lá assim...
Ias responde o nosso cap. O homem,saltou-lhe a mola e respondeu, então não corto,
como nós sabemos isso era uma coisa que não podia acontecer, Gomes chame as praças de
guarda e o cabelo tem de ser cortado,a bem ou a mal.
Enquanto ele estava a ser agarrado e desabafando, só não chamou pai ao dito.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Vida no Grafanil
Os tópicos que assentei num papel, num primeiro e rápido esforço de memória, das histórias que passaria para este blog, chegam rapidamente ao fim mas para hoje ainda lembrarei a nossa “vida” no Grafanil.
Como já lembrei uma das grandes preocupações era manter o pessoal ocupado. Não era fácil visto que no Grafanil não estávamos só nós. Estava o batalhão inteiro. De modo que depois da formatura das oito, uma das ocupações era, no bom tempo, ir à praia. Para isso havia uma ou duas berliets e uma praia, perto de Luanda, que estava reservada a militares e que se situava em frente da ilha do Mussolo. Sempre gostei de praia de modo que me ofereci para chefe dessa guerra, quantas vezes se me ofereceu, acompanhando os militares que também se ofereciam para esse esforço, quase sempre, como eu, originários de terras perto do mar. Não tinha concorrentes, coisa que me espantava imenso, mas a maior parte dos oficiais do batalhão ainda me agradecia por eu me voluntariar. Saíamos logo após o pequeno-almoço dos oficiais, que era depois da formatura das oito, e voltávamos por volta das onze horas. Estava assim gasta a manhã.
Lembro-me de em uma dessas manhãs estar a olhar para o céu, deitado na areia depois de um décimo mergulho, e surgir um helicóptero que começa a fazer evoluções entre o Mussolo e a praia onde nos encontrávamos e de repente ver desprender-se a asa pequena de trás e, no seguimento, o helicóptero destrambelhar-se por ali a baixo caindo no mar. Li depois que morreram todos os passageiros, oficiais sul-africanos cuja presença em Luanda tinha sido negada na véspera, em todos os jornais, como sendo mais uma calúnia.
Um outro grande acontecimento a partir do Grafanil foi a viagem que o Chaves, eu, o Sá e creio que o Pinho, de outras companhias fizemos num Volkswgem que o Chaves arranjou emprestado de um amigo e que nos levou em quatro dias, dados generosamente pelo comandante, a Nova Lisboa, Sá da Bandeira (Tundavala), Moçamedes, Lobito e Benguela. Mais de dois mil quilómetros mas bem dita viagem que ficou para sempre na memória! Tenho uma fotografia de um indígena, na serra que desce de Sá da Bandeira para Moçamedes, nesse tempo em estrada batida de terra, em que o dito indígena tem umas penas na cabeça, uma tanga, uma lança e o escudo e lembro o diálogo que com ele travei quando me aproximei com a máquina dos retratos na mão. Pôs o escudo em frente à cara e espreitando disse: – são cinquenta pau! Perante a minha indignação e o regateio que se seguiu lá consentiu em receber cinco pau e … foi um pau!
Como já lembrei uma das grandes preocupações era manter o pessoal ocupado. Não era fácil visto que no Grafanil não estávamos só nós. Estava o batalhão inteiro. De modo que depois da formatura das oito, uma das ocupações era, no bom tempo, ir à praia. Para isso havia uma ou duas berliets e uma praia, perto de Luanda, que estava reservada a militares e que se situava em frente da ilha do Mussolo. Sempre gostei de praia de modo que me ofereci para chefe dessa guerra, quantas vezes se me ofereceu, acompanhando os militares que também se ofereciam para esse esforço, quase sempre, como eu, originários de terras perto do mar. Não tinha concorrentes, coisa que me espantava imenso, mas a maior parte dos oficiais do batalhão ainda me agradecia por eu me voluntariar. Saíamos logo após o pequeno-almoço dos oficiais, que era depois da formatura das oito, e voltávamos por volta das onze horas. Estava assim gasta a manhã.
Lembro-me de em uma dessas manhãs estar a olhar para o céu, deitado na areia depois de um décimo mergulho, e surgir um helicóptero que começa a fazer evoluções entre o Mussolo e a praia onde nos encontrávamos e de repente ver desprender-se a asa pequena de trás e, no seguimento, o helicóptero destrambelhar-se por ali a baixo caindo no mar. Li depois que morreram todos os passageiros, oficiais sul-africanos cuja presença em Luanda tinha sido negada na véspera, em todos os jornais, como sendo mais uma calúnia.
Um outro grande acontecimento a partir do Grafanil foi a viagem que o Chaves, eu, o Sá e creio que o Pinho, de outras companhias fizemos num Volkswgem que o Chaves arranjou emprestado de um amigo e que nos levou em quatro dias, dados generosamente pelo comandante, a Nova Lisboa, Sá da Bandeira (Tundavala), Moçamedes, Lobito e Benguela. Mais de dois mil quilómetros mas bem dita viagem que ficou para sempre na memória! Tenho uma fotografia de um indígena, na serra que desce de Sá da Bandeira para Moçamedes, nesse tempo em estrada batida de terra, em que o dito indígena tem umas penas na cabeça, uma tanga, uma lança e o escudo e lembro o diálogo que com ele travei quando me aproximei com a máquina dos retratos na mão. Pôs o escudo em frente à cara e espreitando disse: – são cinquenta pau! Perante a minha indignação e o regateio que se seguiu lá consentiu em receber cinco pau e … foi um pau!
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