Diz-se que no tempo militar se criam amizades que ficam para toda a vida. Eu penso que não é bem a amizade o principal elo de ligação para toda a vida mas a solidariedade que fica depois de se partilhar um tempo tão intenso. E o exemplo que eu talvez possa dar mais significativo é o do que ficou, passados tantos anos, em relação ao capitão da nossa companhia. Não foram fáceis as relações com ele: um herói, um militarão, um voluntarista ainda por cima sem a experiência, que vem com a idade, que faz diminuir o voluntarismo. Eu serei o contrário de tudo isso. Além disso a principal característica da minha educação foi o da uma enorme liberdade, sem controles, apenas com avisos tipo – Olha que se não fizeres isto ou aquilo vais-te dar mal no futuro. Nunca com ameaças e sempre permitindo a argumentação contrária. A tropa não é nada disto: manda quem pode, obedece quem deve e ponto final. Foi um choque enorme a ida para a tropa! O capitão era para mim, sobretudo no princípio e depois em alguns outros períodos da comissão, a encarnação do mal que me atacava. Mas, no fundo, sempre achei que era melhor estar com alguém que sabia do ofício do que com um amador qualquer e, por outro lado, eu achava que o comandante sempre nos protegeria, a todos, de eventuais excessos do capitão, que aliás acabaram por nunca se verificarem. O que ficou de tudo isto, quase imediatamente depois do fim da comissão? Uma enorme solidariedade. Uma grande admiração pelas suas qualidades militares e uma certa pena por ele ter tido de aturar milicianos como eu: inexperiente, sem gosto nem jeito para o ofício, um rapazola em formação. Pior era impossível!
Quem neste ambiente terrível, sobretudo no início da comissão como por diversas vezes já escrevi, salvava a situação? A amizade entre os alferes que mantive do princípio ao fim, com um ou outro pequeno percalço com o Guia de que não fui o actor principal mas estava solidário com ele, e a companhia na conversa e na discussão amiga do capelão e do médico. Lembro uma noite em que a discussão foi tão intensa que escrevi no meu diário “o capelão e o Chaves são racistas!” coisa que evidentemente nunca foram mas eu talvez gostasse que eles fossem para ganhar argumentos!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Ainda as operações
Há mais duas histórias de guerra para mim inesquecíveis embora uma delas me pareça uma enorme mentira nos seus pormenores porque era contada por mim e pelo Zé Aragão com diferentes protagonistas. Esta história passou-se numa operação em que o primeiro e o terceiro pelotão actuaram em conjunto na zona da sede do batalhão em Zemba. Progredíamos na meia encosta de um morro quando, de súbito, fomos flagelados do cimo desse mesmo morro. Rapidamente aproximámo-nos da base do morro em passo quase de corrida (É mais fácil de descer do que subir, já dizia o Veloso de Fernão Mendes Pinto) e aí instalado (conto eu) gritei: onde está o gajo do morteiro? E a resposta veio: o gajo do morteiro sou eu, mas o morteiro ficou lá em cima!
A segunda história passa-se numa outra operação com o Chaves. O meu pelotão vinha à retaguarda num trilho no meio de uma lavra e também fomos flagelados. Atirados para o chão disse aos soldados que estavam à minha frente para disparar dois ou três tiros para o ponto de origem do flagelamento. A ordem terá sido mal compreendida e dos tiros iniciais passou-se a uma fuzilaria inacreditável, com um completo descontrolo de tiro. Fiquei danado e só com muita berraria se conseguiu parar o tiro e continuar a marcha. Essa operação foi aliás uma das que foi completamente falseada pelo Chaves e por mim, graças a Deus.
Falando do Zé Aragão que infelizmente morreu há poucos anos, não posso deixar de mais uma vez lembrar a sua permanente alegria e boa disposição. Fui amigo dele, não muito íntimo, mas desde a infância, na praia, depois num colégio e depois, sem nunca deixar de o ver completamente, em Estremoz de onde íamos e vínhamos juntos todos os fins-de-semana a Lisboa. Na última semana de Estremoz, tendo ele acabado de ser promovido e passado a ter direito a continência à porta de armas, ainda me rio à gargalhada com o que nós nos rimos quando ele, estando eu já cá fora à espera dele, passando a porta de armas e recebendo a continência me diz logo a seguir: - éh pá, viste? Ganda pinta! E realmente é fantástico como mesmo as pessoas que não são sensíveis a deferências, incham com sinais de importância própria mesmo que a importância não fosse nenhuma como era, manifestamente, o nosso caso.
A segunda história passa-se numa outra operação com o Chaves. O meu pelotão vinha à retaguarda num trilho no meio de uma lavra e também fomos flagelados. Atirados para o chão disse aos soldados que estavam à minha frente para disparar dois ou três tiros para o ponto de origem do flagelamento. A ordem terá sido mal compreendida e dos tiros iniciais passou-se a uma fuzilaria inacreditável, com um completo descontrolo de tiro. Fiquei danado e só com muita berraria se conseguiu parar o tiro e continuar a marcha. Essa operação foi aliás uma das que foi completamente falseada pelo Chaves e por mim, graças a Deus.
Falando do Zé Aragão que infelizmente morreu há poucos anos, não posso deixar de mais uma vez lembrar a sua permanente alegria e boa disposição. Fui amigo dele, não muito íntimo, mas desde a infância, na praia, depois num colégio e depois, sem nunca deixar de o ver completamente, em Estremoz de onde íamos e vínhamos juntos todos os fins-de-semana a Lisboa. Na última semana de Estremoz, tendo ele acabado de ser promovido e passado a ter direito a continência à porta de armas, ainda me rio à gargalhada com o que nós nos rimos quando ele, estando eu já cá fora à espera dele, passando a porta de armas e recebendo a continência me diz logo a seguir: - éh pá, viste? Ganda pinta! E realmente é fantástico como mesmo as pessoas que não são sensíveis a deferências, incham com sinais de importância própria mesmo que a importância não fosse nenhuma como era, manifestamente, o nosso caso.
Se Eu Morresse
Um dia uma amiga online fez-me o seguinte desafio: Escrever um poema com o título, se eu morresse.
Contou-me que numa fase menos boa da sua vida pensou em morrer, e tentou escrever um poema com este título, mas não conseguiu.
Talvez por não ser poetisa, disse-me.
Quando recebi a mensagem o meu primeiro pensamento foi para o tempo da guerra em Angola, penso, que todos nós pensámos alguma vez na morte.
Aqui fica o resultado final desse desafio, em forma de soneto.
Se Eu Morresse
Se eu morresse,o meu amor entre vós
Deixaria.Como roseiras floridas,
Perfumando calmamente vossas vidas...
Fazendo companhia aos que vivem sós.
Ficavam minhas saudades como avós
Cuidando dos netinhos, comovidas,
Limpando lágrimas tão sentidas
Que alguém choraria a plena voz.
Levaria comigo os remorsos
D'amizades terminadas bruscamente
Sem direito a mais uma despedida!
Deixaria nesta terra meus esforços
Da labuta que travei amargamente
Na procura de viver a minha vida!
José Diogo Júnior
Contou-me que numa fase menos boa da sua vida pensou em morrer, e tentou escrever um poema com este título, mas não conseguiu.
Talvez por não ser poetisa, disse-me.
Quando recebi a mensagem o meu primeiro pensamento foi para o tempo da guerra em Angola, penso, que todos nós pensámos alguma vez na morte.
Aqui fica o resultado final desse desafio, em forma de soneto.
Se Eu Morresse
Se eu morresse,o meu amor entre vós
Deixaria.Como roseiras floridas,
Perfumando calmamente vossas vidas...
Fazendo companhia aos que vivem sós.
Ficavam minhas saudades como avós
Cuidando dos netinhos, comovidas,
Limpando lágrimas tão sentidas
Que alguém choraria a plena voz.
Levaria comigo os remorsos
D'amizades terminadas bruscamente
Sem direito a mais uma despedida!
Deixaria nesta terra meus esforços
Da labuta que travei amargamente
Na procura de viver a minha vida!
José Diogo Júnior
A boina à “avião” tinha uma explicação. Quando entrei para a tropa em Mafra, numa noite fria de nevoeiro em que me lembro ainda da sensação de “agora é que estou lixado” fui dos últimos a entrar porque beneficiei de o meu pai, tão preocupado como eu, me ter ido levar à porta de armas. A primeira coisa que se fazia, naquele casarão mais do que lúgubre, era levantar o fardamento. Ora tendo sido dos últimos, não havia já nada para o meu número. Ficou tudo a boiar, coisa que me não ralou absolutamente nada nem aos oficias meus chefes que, evidentemente, eram de Infantaria. O pior foi a mudança para Santarém em que “o aprumo” militar era exigido e aí tive que refazer à minha custa a quase totalidade do fardamento para não dar “com os cornos na cadeia” como era ameaçado. Não vindo a propósito neste blog, não resisto a registar que Mafra foi muito difícil, quase tanto como os primeiros meses da comissão, porque para além de ser tudo desconhecidíssimo eu tinha um pai que desprezava a ginástica, o desporto e qualquer actividade física, coisa em que eu o imitava para além de fumar quase dois maços por dia. Lembro a primeira correria fora de Mafra, de talvez uns dois kilómetros, em que eu fiquei com os bofes completamente de fora, logo à saída do Quartel, sentado debaixo da placa da povoação de nome: – Paz! No final da estadia em Santarém até já gostava de correr e em Estremoz lembro-me de ficar espantadíssimo por ou o Justino ou o Gonçalves me dizerem que era preciso abrandar a correria porque já era demais! Mas Mafra não foi só a canseira foram os “galhos”, o leito do Lisandro percorrido à noite com emboscados a darem-nos murros nas costas, a passar túneis com toda a espécie de porcarias penduradas, rastejar debaixo de fogo e sob o arame farpado, a ameaça do pórtico de que sempre tive medo porque tenho vertigens, tudo isto, e muito mais, em novidade e com a sensação de nunca ser capaz de o fazer e a alegria e o espanto de afinal ser capaz. Em comparação Santarém e Estremoz foram muitíssimo mais suaves, não o sendo certamente, a preparação é que era já outra.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Historias da nossa tropa
Quando oJoão Vieira falou no Bom Jesus,imediatamente recordei uma passagem que não posso
deixar de contar. Como já foi dito,estavamos péssimamente instalados o dono da Fazenda ,acho
que era Perola do Quimuanza,querendo ser amavel facultou-nos uma casa que tinha alguns colchões , que aparentemente pareciam razoaveis. O que é a verdade é todos os que lá se deitaram apanharam uma valente camada de chatos inclusivê o nossoSargento Pires.que se
lamentava porque estava prestes a vir de férias ao Continente.
O mais cómico foi já no Grafanil aplicáva -se DDT para os matar, depois talco para eliminar o
cheiro.
deixar de contar. Como já foi dito,estavamos péssimamente instalados o dono da Fazenda ,acho
que era Perola do Quimuanza,querendo ser amavel facultou-nos uma casa que tinha alguns colchões , que aparentemente pareciam razoaveis. O que é a verdade é todos os que lá se deitaram apanharam uma valente camada de chatos inclusivê o nossoSargento Pires.que se
lamentava porque estava prestes a vir de férias ao Continente.
O mais cómico foi já no Grafanil aplicáva -se DDT para os matar, depois talco para eliminar o
cheiro.
O segundo ano
O segundo ano de comissão foi, como já está dito, passado no Grafanil como tropa de intervenção à disposição do comando chefe. A notícia que assim seria foi considerada por nós uma verdadeira tragédia porque acreditáramos que seríamos recompensados pelo nosso esforço e passaríamos o segundo ano numa qualquer vilinha do litoral, com muita praia, sanzalas perto, e sem ameaças de guerra. Mas a verdade é que a tal intervenção acabou por ser bastante descansativa porque logo de início passámos mais de um mês numa fazenda chamada de Bom Jesus, onde, muito mal instalados, dávamos protecção à engenharia enquanto estes abriam uma estrada. Voltámos lá uma segunda vez, onde infelizmente de acidente morreu um homem nosso o que me fez, e ainda faz, a maior das impressões. O Bom Jesus era muito incómodo: dormíamos em barracas, a casa de banho foi construída por nós porque quando chegámos os “anteriores nem isso tinham feito”, uns incompetentes, pensávamos; Mas quanto a guerra não havia e os dias passavam sabendo-se que dentro em breve voltaríamos a Luanda. Depois fizemos, que me lembre, as operações que já contei do helicóptero Puma, a última do rio Zala, a intervenção como polícias a que, confesso, achei a maior das graças por causa do ridículo do nosso aparato nada policial, e uma outra enorme, a nível de Região Militar, com comandos, aviões a jacto e canhões que foi, naturalmente, um falhanço estrondoso sem resultados nenhuns porque o suposto inimigo, se o havia, com tanto barulho não ficou à nossa espera para levar no coco. Lembro porém que a certa altura estávamos num alto de um morro, junto a um enorme canhão e os “artilheiros” dispararam-no, sem avisar ninguém: estabeleceu-se a maior das confusões com parte do pessoal a procurar abrigo para se proteger do ataque a que estávamos a ser sujeitos! O Zé Aragão, do primeiro pelotão, acrescentava a esta história, creio que para a melhorar e para com ela rirmos a bandeiras despregadas, que um soldado, com o susto, se enfiou num oco de uma árvore, ficando com os pés para cima e sem conseguir de lá sair, ouvindo-se apenas a sua voz: tirem-me daqui!
No Bom Jesus tive um momento de maior tenção com o capitão, já não sei as razões, a propósito de uma emboscada que ele me mandou fazer. Amanhã ou depois escreverei sobre as relações entre os oficiais. Na altura pareceram-me impossíveis. Hoje penso que também tivemos sorte em ter um capitão que gostava e sabia do seu ofício. Nada comparado com um outro oficial de cavalaria do quadro, de nome Martins, creio que cruz de guerra, que fez o meu espanto quando estando eu cadete de dia, ainda em Santarém, e ele oficial de dia, num sábado, primeiro correu-me, porque eu estava mal fardado e tinha uma boina que parecia “um avião”, de grande que era para a minha cabeça, ameaçando-me com cadeia (sic: vais daqui vais mas é para a cadeia!) se em dois tempos não aparecesse “bem ataviado”, e, depois, durante o resto do fim-de-semana de convívio e graçolas queixou-se da “merda da tropa” tendo-lhe eu perguntado: – mas então porque é que o senhor é do quadro? Ao que ele respondeu, textualmente: “hó meu amigo, antigamente um oficial de cavalaria de manhã jogava o ténis e à tarde andava a cavalo, agora é que é esta merda”.
No Bom Jesus tive um momento de maior tenção com o capitão, já não sei as razões, a propósito de uma emboscada que ele me mandou fazer. Amanhã ou depois escreverei sobre as relações entre os oficiais. Na altura pareceram-me impossíveis. Hoje penso que também tivemos sorte em ter um capitão que gostava e sabia do seu ofício. Nada comparado com um outro oficial de cavalaria do quadro, de nome Martins, creio que cruz de guerra, que fez o meu espanto quando estando eu cadete de dia, ainda em Santarém, e ele oficial de dia, num sábado, primeiro correu-me, porque eu estava mal fardado e tinha uma boina que parecia “um avião”, de grande que era para a minha cabeça, ameaçando-me com cadeia (sic: vais daqui vais mas é para a cadeia!) se em dois tempos não aparecesse “bem ataviado”, e, depois, durante o resto do fim-de-semana de convívio e graçolas queixou-se da “merda da tropa” tendo-lhe eu perguntado: – mas então porque é que o senhor é do quadro? Ao que ele respondeu, textualmente: “hó meu amigo, antigamente um oficial de cavalaria de manhã jogava o ténis e à tarde andava a cavalo, agora é que é esta merda”.
O Homem da Coxa
Em dia, provavelmente de festa, o Varela terá feito frango assado para a messe de sargentos, onde a comida era servida já no prato. O Ataíde estava a distribuir os pratos e entrega uma asa de frango a um dos furriéis. Sem ninguém esperar, o homem exalta-se, levanta-se da mesa, devolve a asa e diz bem alto:
- Já sabes que eu só como coxas!
O 1º sargento, sentado na ponta da mesa, e que se assumia como “pai de família”, achou ter havido desrespeito e vá de fazer uma participação. O Capitão Taxa Araújo despachou para eu elaborar o respectivo auto de averiguações. Embora achasse ridículo um auto de averiguações por causa de uma coxa, e ainda por cima de um bípede masculino e com penas, lá fui ler o Regimento de Disciplina Militar, ouvir o faltoso e as testemunhas. Uma grande chatice, como é evidente.
Concluí o auto alegando não ter encontrado nenhuma infracção ao citado Regimento de Disciplina, e fiquei a aguardar como é que o capitão ia descalçar esta bota sem desautorizar o 1º sargento.
Passado algum tempo e diante da formatura geral foi anunciada a sentença, que tento resumir: Tendo em conta que me nasceu mais uma filha ficam arquivadas todas as participações que aguardavam despacho.
Com esta decisão não foi desautorizado o 1º sargento, safou-se o furriel Sá Oliveira, o brasileiro, e safei-me eu, que queria ficar bem com as partes. Na altura pensei que possivelmente ninguém no mundo tinha dedicado mais de vinte páginas a uma coxa de frango. Um autêntico recorde digno do Guinness!
- Já sabes que eu só como coxas!
O 1º sargento, sentado na ponta da mesa, e que se assumia como “pai de família”, achou ter havido desrespeito e vá de fazer uma participação. O Capitão Taxa Araújo despachou para eu elaborar o respectivo auto de averiguações. Embora achasse ridículo um auto de averiguações por causa de uma coxa, e ainda por cima de um bípede masculino e com penas, lá fui ler o Regimento de Disciplina Militar, ouvir o faltoso e as testemunhas. Uma grande chatice, como é evidente.
Concluí o auto alegando não ter encontrado nenhuma infracção ao citado Regimento de Disciplina, e fiquei a aguardar como é que o capitão ia descalçar esta bota sem desautorizar o 1º sargento.
Passado algum tempo e diante da formatura geral foi anunciada a sentença, que tento resumir: Tendo em conta que me nasceu mais uma filha ficam arquivadas todas as participações que aguardavam despacho.
Com esta decisão não foi desautorizado o 1º sargento, safou-se o furriel Sá Oliveira, o brasileiro, e safei-me eu, que queria ficar bem com as partes. Na altura pensei que possivelmente ninguém no mundo tinha dedicado mais de vinte páginas a uma coxa de frango. Um autêntico recorde digno do Guinness!
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